terça-feira, 22 de março de 2011

Incidente da queda do pilar da SCUT não coloca segurança nem qualidade da obra em causa




O incidente que levou à queda dos pilares no Eixo Sul das SCUT, na Ribeira das Três Voltas, em Água D’Alto, foi provocado por factores externos e não coloca em causa as fundações das estruturas e, muito menos, a segurança e a qualidade dos métodos construtivos usados na obra. Estas são as principais conclusões do relatório de averiguações aberto pelo Governo Regional e que o Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos apresentou esta manhã.

Segundo José Contente, “tomamos a decisão certa ao instaurarmos este processo de averiguações, a par do efectuado pela empresa concessionária, porque houve muita desinformação sobre o sucedido e foram, inclusivamente, levantados alguns temores e suspeitas numa obra desta natureza” que é preciso esclarecer e desmistificar.

De acordo com as conclusões do relatório, o incidente da madrugada de 12 de Março foi provocado por um deslizamento de terras do talude que ganhou grande energia e velocidade devido à elevada altura a que se encontrava, cerca de cem metros acima da base dos pilares. Esta massa de terra - cerca de 3 500 m3 – atingiu a base de sustentação da grua de apoio à construção dos pilares, com 87 metros de altura, movendo-a em rota de colisão com os pilares sinistrados que, com o forte impacto da grua, foram derrubados contra o talude adjacente.

Pela própria natureza do processo construtivo, divido em duas fases, primeiro as fundações, de acordo com as sondagens geotécnicas efectuadas, e depois a construção na vertical de duas estruturas paralelas, a partir de uma rótula mecânica, que serão depois abertas em “V”, num ângulo aproximado de 20 graus, os pilares tombaram por estarem assentes numa estrutura giratória que rodou sobre si após o impacto.

O governante defendeu que no caso concreto do vale, muito curto, onde o viaduto está a ser construído, optou-se por este método “porque é o mais adequado. Já fui aplicado em outras construções na Península Ibérica e está mais que testada a sua segurança e fiabilidade”.

É preciso, portanto, desmistificar a suspeita levantada relativamente à segurança da obra porque ela nunca esteve em causa e o Governo Regional tudo fará para que continue a ser o critério fundamental na construção das SCUT em São Miguel, acrescentou José Contente, em conferência de imprensa.

O Secretário dos Equipamentos relembrou que a maior obra pública de sempre dos Açores é sujeita a dupla fiscalização, a que é feita por uma equipa da própria concessionária e outra constituída pela Secretaria Regional. “O Governo acompanha, com rigor, toda esta concessão, desde a fase de aprovação dos projectos e agora com a fiscalização permanente à obra. Razão pela qual defendemos a segurança e a qualidade dos viadutos e dos traçados”, afirmou o governante.

José Contente adiantou ainda que este incidente, determinado por factores externos, não coloca em causa o prazo contratual e não implica sequer um aumento de custos da obra porque este é um regime de concessão, logo, é da responsabilidade da empresa que, avançou, está no local a desenvolver todas as medidas técnicas e jurídicas para mitigar o impacto do incidente na execução da empreitada; a efectuar a estabilização do terreno; a demolir os pilares sinistrados e a reconstrui-los novamente de acordo com o projecto.

O Secretário Regional acrescentou ainda que vai continuar “esta marcha de rigor, de segurança, na valoração da qualidade do processo construtivo, para que se garantam melhores acessibilidades, diminuir os tempos de distância, através das quais damos novas formas de vida à ilha de S. Miguel”.

Relativamente à Euroscut José Contente lamenta que a empresa concessionária não tenha esclarecido, publicamente, o sucedido mas, garante, “o Governo Regional aqui está para defender os interesses dos açorianos e para esclarecer todos os que tiverem dúvidas”.



GaCS/VS

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